Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

ATÉ QUANDO VAMOS TER ESTAS NOTÍCIAS?

O barulho provocado pelos estudantes do ensino superior durante a noite e madrugada,que se intensifica neste período do ano devido à recepção ao caloiro, está a levar alguns moradores a abandonarem o centro histórico. Além do ruído,é ainda frequente os jovens urinarem e vomitarem juntoàs casas.

Residente próximo da Praça Rodrigues Lobo desde que nasceu, um dos moradores
contactado pelo JORNAL DE LEIRIA está a equacionar procurar casa noutro lado, devido
ao desgaste causado pelo barulho permanente, que só o deixa dormir a partir das 2
horas. Ou seja, depois de os bares fecharem e de os clientes se irem embora. “A paciência tem limites.” “Hoje, as pessoas não respeitam nada nem ninguém. E se chamamos à atenção por urinarem à nossa porta ainda nos oferecem um par de estalos”,
conta, indignado, o mesmo morador, de 40 anos.“Quando era mais novo, se eu e os meus amigos ouvíssemos uma janela a abrir encolhiamo-nos logo. Hoje, até a polícia insultam.” Para o morador, o comportamento dos jovens que frequentam os bares do centro histórico irá contribuir para aumentar a desertificação daquela zona, onde o número de residentes diminuiu de uma forma drástica nos últimos anos.

BARULHO ENSURDECEDOR

Benilde Silva, de 45 anos,também vive um inferno numa das ruas com mais bares do
centro histórico, onde reside há seis anos com o marido.Além do volume elevado da
música do bar ao lado da sua casa, queixa-se do ruído provocado pelos jovens que se
reúnem à porta.Embora os jovens frequentem os bares todos os dias,as terças, quintas-feiras e sábados continuam a ser os dias de mais confusão. “As pessoas não são civilizadas. Agem como se não morasse ali ninguém.De manhã, a rua está toda suja de vomitado”, conta Benilde Silva. “Na primeira oportunidade que tiver de fazer casa, saio. Estou farta de dormir sobressaltada.” Mais próximo da Sé, Sílva Hingá, de 73 anos, também passa grande parte da noite acordada. “Estou cansada daquele batucar todas as noites. Depois, é o barulho cá fora.Berram, bebem e dizem asneiredo. Os passeios metem nojo, devido à urina e ao vomitado”, conta.“Se dizemos alguma coisa,
respondem mal. Já me partiram um vidro com uma garrafa que me entrou pela casa
dentro. Só nas férias é que as coisas acalmam”, lamenta Sílvia Hingá. Apesar da gitação diária, a moradora não pensa abandonar o centro histórico.“Moro aqui há 40 anos. Tenho os meus direitos. Os bares é que foram para lá incomodar”,argumenta.
Os moradores queixam--se ainda da falta de policiamento,que entendem que poderia ser dissuasor deste tipo de comportamentos. Dizem que ligam para a PSP e que a resposta que ouvem é que não têm efectivos disponíveis para enviar para o local e que até
são incentivados a despejar água sobre as pessoas que perturbam o seu sono.

PRIORIDADE AO CRIME -Rui Conde.

Comandante distrital da PSP, desconhece e discorda desse tipo de observações.
Consciente da existência de problemas causados pelo ruído, explica que nem sempre é possível deslocar de imediato agentes ao local porque dão prioridade ao combate
à criminalidade. “Os alunos do ensino superior saem à rua para se divertirem.
Esquecem-se que a esfera de liberdade deles interfere com a dos outros”, observa
o comandante da PSP. Rui Conde esclarece, contudo, que a PSP só pode actuar se for
apresentada queixa. “Não os podemos impedir de falar, mas apenas aconselhar a falar mais baixo. Em relação aos bares,não somos nós que os licenciamos.”No sentido de tentar resolver este problema, o comandante da PSP aconselha os moradores a apresentarem uma exposição conjunta à polícia, câmara e Governo Civil.
Na última reunião de Assembleia Municipal de Leiria, Raul Castro, presidente da Autarquia, comprometeu-se a encerrar os bares que têm problemas de insonorização e actuar sobre os que não possuem licença.
Em resposta a uma exposição enviada por uma outra moradora do centro histórico,
Nuno Mangas, presidente do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), explica que têm sencadeado sucessivamente acções de sensibilização visando “disciplinar os excessos dos estudantes”.Rui Conde assegura que a PSP também já seguiu esse procedimento.
João Rodrigues, presidente da Comissão Instaladora da Federação Académica de Leiria,revela que estão a tentar encontrar uma solução, em conjunto com o IPL, para conseguirem resolver este problema.O JORNAL DE LEIRIA tentou ouvir os proprietários de alguns bares do centro histórico,mas tal não foi possível até ao fecho da edição.

Noticia retirada do Jornal de Leiria - edição de 08.10.10, sendo o seu conteudo propriédade do dito jornal.

CENTRO HISTÓRICO LEIRIA